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E-commerce & Retalho

Planeamento estratégico de e-commerce: o guia completo

27 de Novembro, 2019 (actualizado) |

Para ajudar nesta árdua tarefa, preparámos um guia completo com tudo que precisa saber. Continue a ler e confira!

Não é por acaso que o planeamento estratégico assume cada vez mais importância para aqueles que atuam na gestão de e-commerce. É uma área que movimenta milhões de euros todos os anos.

Estes números são verdadeiras oportunidades, e apontam para uma constatação que pode ser preocupante para alguns: o segmento está a tornar-se cada vez mais competitivo, e as empresas que não souberem planear de forma adequada vão ficar para trás.

É por isso que, além de se dedicar aos processos de vendas, os gestores também precisam conhecer o mercado, mapear as oportunidades, antecipar as ameaças e definir onde desejam chegar. Ou seja: se planear.

Mas não se preocupe. Para ajudar nessa árdua tarefa, preparámos um guia completo com tudo que precisa saber sobre o planeamento estratégico de e-commerce. Continue a ler e confira!

1. O que é o planeamento estratégico?

Inicialmente, é necessário deixar claro o que é um planeamento estratégico. De acordo com Chiavenato, considerado um dos pais da Administração, o planeamento é a primeira função do processo administrativo. É ele que possibilita o estabelecimento dos objetivos organizacionais e a posterior definição dos recursos que serão necessários para atingi-los. 

O planeamento estratégico, por sua vez, nada mais é do que um conjunto de diretrizes que orienta a empresa na tomada de decisões e na distribuição dos recursos.

É ele que auxilia o gestor na definição do rumo a ser seguido pela empresa com base nos objetivos traçados para o curto, médio e longo prazo. 

2. A importância do planeamento estratégico

“Nenhum vento sopra a favor de um barco que não sabe para onde ir”. Embora possa parecer clichê, a frase do filósofo Sêneca resume muito bem a importância do planeamento estratégico.

Muito além de um documento que reúne informações valiosas sobre determinada empresa, um planeamento estratégico bem-feito apresenta inúmeros benefícios para a organização. 

De forma bastante resumida, podemos dizer que o planeamento estratégico é a bússola que ajuda a empresa a descobrir qual o caminho que deve seguir com base no conhecimento extraído a partir da análise do próprio mercado.

É também o planeamento estratégico, que contribui para a tomada de decisões, ajuda no cumprimento das metas, promove melhores resultados, torna a empresa mais competitiva e permite que os setores se mantenham alinhados e cientes de quando estão no caminho certo ou errado.

No universo do e-commerce, em particular, o planeamento estratégico assume uma relevância ainda maior ao antecipar ameaças e oportunidades num cenário que muda tanto e tão rapidamente. 

3. Os tipos de planeamento estratégico

Embora não exista um consenso literário quanto aos tipos de planeamento estratégico, uma boa parte dos livros e referências académicas apontam para a existência de três modelos principais: o planeamento estratégico, o planeamento operacional e o planeamento tático. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles a seguir. 

3.1. Planeamento estratégico

Mais conhecido entre os três tipos, o planeamento estratégico refere-se ao planeamento de longo prazo e está diretamente associado aos níveis hierárquicos mais altos de uma organização, como é o caso da direção. É o planeamento estratégico que determina os objetivos e decisões mais relevantes. 

Por apresentar um grau de complexidade maior, este tipo de planeamento costuma envolver vários setores da empresa e exige muita dedicação de boa parte da equipa por um período de, no mínimo, um ano. 

É o que acontece, por exemplo, com metas e decisões relativas ao lançamento de produto, captação de grandes investimentos e entrada em novos segmentos de mercado. 

3.2. Planeamento tático

O planeamento tático, por sua vez, refere-se a objetivos de médio prazo, estando diretamente ligado aos níveis hierárquicos intermediários da organização, como são os casos dos gestores.

Enquanto o planeamento estratégico prevê diretrizes gerais, o planeamento tático dá suporte à estratégia e garante que as ações que devem ser realizadas a médio prazo realmente aconteçam de acordo com o esperado. 

3.3. Planeamento operacional

Por último, o planeamento operacional, refere-se ao planeamento a curto prazo e às tarefas executadas no dia a dia da empresa. Em geral, esse planeamento tem relação direta com os processos organizacionais e com os supervisores. 

Na prática, é a boa execução das atividades rotineiras que permite que a empresa consiga organizar-se para atingir os objetivos de médio e longo prazo. 

Assim, enquanto o planeamento estratégico prevê a entrada num novo segmento de mercado, por exemplo, o planeamento tático poderá prever estudos de mercado para entender o que o consumidor realmente deseja e o planeamento tático, por sua vez, partirá para decisões mais imediatas e operacionais, como a escolha da plataforma para e-commerce que será utilizada. 

4. As etapas do planeamento estratégico eficiente: um passo a passo para o seu e-commerce

Agora que já sabe os tipos de planeamento estratégico, podemos partir para o próximo ponto: o passo a passo detalhado abrangendo cada uma das etapas envolvidas na elaboração de um planeamento eficiente. Confira!

4.1. Analise o macroambiente

O primeiro passo no momento de criar o planeamento estratégico do seu e-commerce é realizar uma breve análise do macroambiente, ou seja, todos os aspectos externos que podem afetar o seu negócio de forma direta ou indireta, em menor ou maior grau. 

Basicamente, as forças macroambientais mais relevantes para a maioria das empresas são as político-legais, económicas, socioculturais, tecnológicas e naturais. Vejamos: 

4.1.1. Forças político-legais

Fazem referência às leis, às agências regulamentadoras, aos sindicatos e a todos os outros grupos políticos que exercem algum tipo de influência nas decisões políticas e legais. No caso de um e-commerce, as eventuais mudanças na legislação que regula a internet é um exemplo de uma força macroambiental que pode afetar o negócio e deve, por isso, ser acompanhada de perto.

4.1.2. Forças económicas

Têm relação direta com a inflação, com a taxa de juros, com as políticas fiscais praticadas no país, com a cotação de moedas estrangeiras de maior relevância e, até mesmo, com eventuais crises económicas. Os e-commerces que perceberam o aumento do poder de compra da classe C há alguns anos, por exemplo, conseguiram destacar-se e oferecer condições facilitadas de pagamento antes dos principais concorrentes. 

4.1.3. Forças socioculturais

Referem-se, sobretudo, à cultura, aos problemas, às necessidades e às mudanças de comportamento de determinada sociedade. Uma tendência sociocultural que se observa atualmente é o envelhecimento da população e a consequente inclusão digital dos mais velhos. 

A depender do seu segmento de atuação, por que não adaptar o design do seu site para que as letras se tornem maiores quando exibidas em dispositivos móveis? Com toda a certeza, essa pequena modificação poderia favorecer a experiência e otimizar as taxas de conversão do público mais velho. 

4.1.4. Forças tecnológicas

As forças tecnológicas, por sua vez, têm relação com as inovações e o patenteamento de novas tecnologias. O uso de chatbots e as possibilidades cada vez maiores de automatização são dois exemplos de forças tecnológicas que impactam diretamente os e-commerces, uma vez que essas empresas precisam estar preparadas para oferecer um atendimento cada vez melhor aos seus clientes, gastando cada vez menos energia e dinheiro. 

4.1.5. Forças naturais

Como o próprio nome já diz, as forças naturais estão relacionadas à natureza e a aspectos ambientais, como são os casos da crescente tendência para a redução de plástico e da iminente escassez de combustíveis não renováveis.

Acredite: a simples análise dos cenários acima listados pode proteger a sua empresa de uma série de ameaças e evitar diversos sustos! Inúmeros negócios foram à falência por negligenciar a importância da análise macroambiental. 

4.2. Compreenda o microambiente

Agora que já sabe o que o ambiente externo reserva para a sua empresa, chega o momento de dar continuidade ao planeamento estratégico do seu e-commerce e iniciar a análise do microambiente. 

Segundo Porter, as cinco principais forças competitivas que integram o microambiente são a rivalidade no segmento, o poder de negociação da sua empresa com os fornecedores, o poder de negociação com os clientes, a ameaça de novos concorrentes e as ameaças relativas à entrada de produtos substitutos. 

Vamos explicar cada uma delas a seguir. 

4.2.1. Rivalidade no segmento

A rivalidade no segmento nada mais é do que a análise dos seus concorrentes. Algumas das situações que mostram uma maior rivalidade são o crescimento lento do setor devido ao grande número de concorrentes, à estabilização ou declínio do mercado e à ausência de vantagens competitivas claras entre os concorrentes. 

4.2.2. Poder de negociação com os fornecedores

Outro aspecto relevante é o quanto a sua empresa fica à mercê dos seus fornecedores. Se vende t-shirts online e só tem um único fornecedor de tecido, por exemplo, é muito prudente começar a mapear novos fornecedores. Além de garantir uma maior segurança para o seu negócio, essa diversificação poderá também garantir melhores preços. 

4.2.3. Poder de negociação com clientes

O poder que os clientes exercem sobre o seu e-commerce também deve ser levado em consideração no momento de analisar o microambiente. Se a sua empresa não vende para o consumidor final e atua no mercado business to business, por exemplo, pode acontecer que poucos clientes sejam responsáveis por grande parte da sua faturação, tornando o seu negócio extremamente dependente e fragilizado. Nesses casos, é importante ligar um alerta vermelho para a situação e investir em formas de diversificar a sua faturação. 

4.2.4. Ameaça de novos concorrentes

Trata-se, basicamente, da ameaça oriunda da entrada de novas empresas na mesma área do seu negócio, o que pode fazer a sua marca perder mercado, diminuir a rentabilidade ou precisar de mais investimento em publicidade. 

Como os custos iniciais de um e-commerce costumam ser baixos e não há tantas barreiras de entrada no mercado, vale a pena dedicar algum tempo a mapear novos players periodicamente para não ser apanhado de surpresa. Uma boca dica é usar um comparador de preços para identificar novos concorrentes. 

4.2.5. Ameaças relativas à entrada de produtos substitutos

Os computadores já substituíram as máquinas de escrever. E a Kodak fechou porque as câmeras digitais tornaram-se acessíveis e popularizaram-se. E no futuro? Um planeamento estratégico eficiente também serve para evitar que produtos substitutos eliminem a sua marca do mercado. Perante uma nova tendência, cabe-lhe a si antecipar-se e adaptar-se.

4.3. Faça a análise SWOT do seu negócio

Agora que já tem uma boa noção do que passa no cenário externo e do que acontece no seu mercado, chegou o momento de realizar um diagnóstico completo do negócio e do ambiente que o envolve, prever movimentos externos e ganhar mais segurança na tomada de decisão.

Para isso, recomendamos a utilização da análise SWOT, uma ferramenta muito usada na Administração e cujo nome deriva da sigla inglesa para as palavras Strength (forças), Weakness (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). 

4.3.1. Para que serve a análise SWOT

De forma simples e versátil, a análise SWOT possibilita-lhe ter uma visão completa do seu negócio e o posterior cruzamento de informações. Ou seja: além de ajudar no diagnóstico, esta análise também ameniza os riscos e fraquezas e potencia as oportunidades e os pontos fortes a partir de insights verdadeiramente acionáveis.

4.3.2. Como fazer a análise SWOT

O primeiro passo é listar todos os pontos fortes e os pontos fracos da sua empresa. Seja sincero! Quanto mais fidedignos forem os aspectos destacados, melhor será o resultado da sua análise. 

Em seguida, deve listar as principais ameaças e oportunidades presentes no macroambiente e no microambiente. Sempre que necessário, recorra aos passos 1 e 2 para refrescar a memória e lembre-se: ao contrário das forças e fraquezas, as ameaças e oportunidades não podem ser controladas pela sua empresa. 

4.3.3. Como cruzar as informações

Após mapear todas as informações necessárias, tudo que terá a fazer é cruzar os dados relativos ao ambiente interno (forças e fraquezas) com os dados relativos ao ambiente externo (oportunidades e ameaças). 

Ao confrontar as oportunidades com as forças, por exemplo, verá como a sua empresa pode usar as suas vantagens competitivas para extrair ao máximo as oportunidades identificadas.

Em contrapartida, o cruzamento das ameaças com os pontos fortes ajudará a entender como usar as suas forças para amenizar os perigos que estão por vir. 

4.4. Defina a identidade organizacional do seu negócio

Ufa! Depois de tanta análise, chegou o momento de finalmente passar à próxima etapa do planeamento estratégico e definir a identidade organizacional do seu negócio. Agora, deverá debruçar-se sobre a essência da sua empresa e definir a missão, a visão e os valores.

Enquanto a missão é a razão de ser da empresa e revela ao público interno e externo o que faz, a visão define onde a empresa deseja chegar. Por último, os valores, são os princípios comportamentais que guiam a empresa e definem a cultura organizacional. 

Juntas, essas três palavras compõem a identidade organizacional do seu negócio e influenciam, direta ou indiretamente, todos os colaboradores da empresa, incluindo aqueles que serão ou não contratados futuramente. 

4.5. Estabeleça metas e crie planos de ação

Agora que já sabe qual a visão do seu negócio e onde deseja chegar nos próximos meses ou anos, é o momento de colocar no papel quais as metas que vão mostrar-lhe que alcançou o sucesso.

É importante destacar que as metas criadas devem apresentar três características básicas. Devem ser: 

  • claras e específicas: nada de termos ambíguos aqui;
  • mensuráveis: é necessário medir se foram ou não alcançadas;
  • temporais: uma boa meta tem um prazo para ser alcançada;
  • relevantes: apenas o que realmente importa;
  • atingível: sem metas tiradas de contos de fada, ok?

Além disso, é necessário que as metas sejam capazes de motivar todos os colaboradores e possam ser desdobradas em planos de ação das mais diversas áreas.

Perante o objetivo de fechar 10 novos negócios, por exemplo, é possível traçar um plano de ação para a área comercial, que poderá ter que realizar 100 novas reuniões de vendas para garantir o resultado esperado. 

4.6. Acompanhe e meça os resultados

Por fim, a última etapa do planeamento estratégico envolve o acompanhamento dos planos de ação e a análise dos resultados.

Uma boa sugestão é realizar reuniões periódicas entre as áreas da empresa para que os responsáveis de cada setor falem sobre o que estão a fazer e mostrem os resultados que estão a ser alcançados.

Além de motivar os membros da empresa, este tipo de reunião é fundamental para garantir que o que foi planeado realmente está a ser executado e que a empresa está no caminho certo. 

É óbvio que o plano nunca será 100% fiel à realidade e que poderão ser necessários ajustes, mas o que não pode acontecer é deixar que a empresa fique sem um rumo estratégico bem definido. 

5. Erros mais comuns ao fazer planeamento estratégico de e-commerce

Agora que está pronto para colocar tudo que aprendeu em prática, nada melhor do que otimizar ainda mais a sua jornada empreendedora e antecipar três dos principais erros que podem ser evitados durante o planeamento estratégico do seu e-commerce, concorda? Então vamos a isso!

5.1. Não atribuir um responsável para cada meta 

Quando um cão tem dois donos pode acabar por morrer de sede! O mesmo é dizer que havendo dois responsáveis pode perfeitamente acontecer de cada um deles estar à espera que o outro alcance a meta e isso é um dos erros mais comuns em planeamentos estratégicos: não atribuir um responsável para cada meta.

Calma! Isso não quer dizer que deve fazer um acompanhamento individual. O que se pretende ao atribuir um único responsável para cada meta é apenas garantir o sentimento de dono e tornar claro para todos os membros da equipa que aquela meta está sob a responsabilidade de alguém. 

5.2. Não integrar os setores

Na prática, um bom planeamento estratégico prevê alcançar objetivos desafiadores e que envolvam diferentes braços da empresa. É justamente por isso que é tão importante garantir uma comunicação fluída entre os setores. 

Acredite: caso isso não aconteça, o alcance de muitas metas estará fortemente comprometido.

5.3. Não acompanhar os resultados

O que não é visto não é lembrado. Para que o planeamento não se perca ao longo do tempo e acabe por ir por água abaixo, é fundamental que o gestor do e-commerce faça o acompanhamento periódico dos resultados. 

Uma boa ideia é elaborar um ficheiro de excel ou algum tipo de dashboard que reúna as principais metas e mostre (da forma mais visual possível) o ponto da situação de cada setor relativamente aos resultados esperados.

6. Como a tecnologia pode ajudar no planeamento estratégico

Por último, também é importante destacar o papel que a tecnologia assume no planeamento estratégico de um e-commerce. Num setor cada vez mais concorrido, usá-la a favor do seu negócio pode ser uma grande vantagem competitiva. 

O uso de dashboards integrados, por exemplo, pode garantir uma melhor visualização dos planos de ação e dos resultados alcançados por setor, dando clareza aos gestores e motivando a equipa. 

Além disso, a tecnologia também pode e deve ser tratada como peça-chave no momento de traçar e executar os planos de ação. Através de recursos como chatbots e plataformas de automatização do envio de e-mails é possível poupar o tempo perdido com trabalhos mecânicos, reduzir custos com pessoal em setores passíveis de se automatizar tarefas e, ainda, aumentar a lucratividade da empresa a partir da identificação de oportunidades de negócio até então negligenciadas. 

Num mercado tão concorrido e cada vez mais saturado, reservar um tempo para criar o planeamento estratégico do seu e-commerce surge como uma verdadeira necessidade.

Muito além de um simples documento ou de uma mera formalidade, um planeamento estratégico bem feito é capaz de nortear a organização, antecipar ameaças, potencializar oportunidades e permitir que a empresa cresça e se diferencie dos seus concorrentes.

A tecnologia, por sua vez, também pode ajudar nessa missão. Por isso, se é gestor de um e-commerce e quer gerar mais vendas online, integrar os seus canais de comunicação numa só ferramenta ou, simplesmente, estreitar os laços com os seus atuais clientes, não deixe de conhecer o E-goi. 

2 thoughts on “Planeamento estratégico de e-commerce: o guia completo”

    Francisco Veloso
    29 de Novembro, 2019

    Cara Daiana,

    Gostei muito da forma como escreveu este artigo. Parabéns!

    Cumprimentos,

    Francisco

      Daiana Braimis
      Daiana Braimis
      19 de Dezembro, 2019

      Obrigada Francisco! 🙂 Ficamos felizes por saber que gostou do nosso artigo. Continue a acompanhar-nos! Até breve!

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