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Email Marketing

Email Verification Protocol: o fim do email de confirmação?

23 Julho, 2026 |

O Chrome começou a testar o Email Verification Protocol, uma proposta que permite confirmar que um utilizador controla determinado endereço sem enviar uma mensagem de verificação.

A tecnologia poderá reduzir a fricção nos formulários de subscrição e registo. No entanto, ainda se encontra num origin trial e não deve ser vista como um substituto universal do double opt-in, do consentimento ou das boas práticas de email marketing.

Visão geral

Há um momento em que muitos registos ficam pelo caminho: quando o utilizador, depois de determinada ação, precisa de sair do site, abrir a caixa de entrada, procurar uma mensagem de confirmação e clicar numa ligação.

Este passo existe por boas razões. Permite confirmar que o endereço é válido e que a pessoa tem acesso à respetiva conta de email. Chamamos-lhe double opt-in.

Ao mesmo tempo, introduz uma interrupção num momento importante do percurso do utilizador. Quando alguém está a criar uma conta, a subscrever uma newsletter ou a concluir um checkout, qualquer passo adicional poderá aumentar o risco de abandono.

Foi para tentar reduzir esta fricção que o Chrome apresentou o Email Verification Protocol, ou EVP.

A proposta permite que o navegador comunique diretamente com o fornecedor de email para verificar que o utilizador controla aquele endereço. Tudo acontece sem enviar um email de confirmação e sem obrigar a pessoa a sair do site.

A tecnologia está atualmente a ser testada através de um origin trial do Chrome, com a participação do Gmail enquanto fornecedor de email. Isto não significa, no entanto, que esteja disponível de forma generalizada ou que venha a substituir definitivamente o processo atual.

O que é o double opt-in e porque continua a ser utilizado?

O double opt-in é um processo de confirmação em dois passos utilizado para validar novos contactos.

Na prática, funciona assim:

  1. O utilizador preenche um formulário de subscrição, registo ou checkout.
  2. Recebe uma mensagem automática no endereço indicado.
  3. Abre essa mensagem e clica numa ligação de confirmação.
  4. Só depois desse clique o endereço é considerado confirmado.

Este processo ajuda a resolver vários problemas.

Em primeiro lugar, permite verificar que o endereço existe e que o utilizador tem acesso à respetiva caixa de entrada. Também ajuda a reduzir erros de digitação. Por exemplo, alguém poderá escrever gmial.com em vez de gmail.com sem reparar.

O double opt-in dificulta ainda a utilização de endereços falsos, os registos automatizados e a introdução do endereço de outra pessoa sem autorização. Além disso, pode contribuir para criar um registo de consentimento mais sólido, dependendo da forma como o processo é implementado e documentado.

É por estas razões que continua a ser considerado uma boa prática na gestão de bases de contactos.

Porque é que o processo atual pode gerar fricção?

Apesar das suas vantagens, o double opt-in introduz um passo adicional no percurso do utilizador. Essa fricção pode ter várias causas.

  • Mudança de contexto: o utilizador está no site, concentrado numa ação, mas precisa de abrir outra aplicação ou outro separador para continuar.
  • Necessidade de abrir a caixa de entrada: a pessoa tem de aceder ao webmail ou à aplicação de email e procurar a mensagem de confirmação. Em alguns casos, a mensagem poderá aparecer numa pasta de promoções ou de spam.
  • Possíveis atrasos na receção: mesmo com uma boa infraestrutura de envio, a mensagem poderá demorar alguns segundos ou minutos a chegar. Durante esse intervalo, o utilizador poderá perder o interesse, fechar a página ou começar a fazer outra coisa.
  • Abandono antes da confirmação: algumas pessoas preenchem o formulário, mas nunca chegam a clicar na ligação. O resultado é um conjunto de contactos que demonstraram interesse, mas não concluíram o registo.

O que é o Email Verification Protocol?

O Email Verification Protocol é uma proposta de protocolo aberto que permite ao navegador comunicar diretamente com o fornecedor de email.

O objetivo é confirmar que o utilizador controla o endereço introduzido, sem ser necessário enviar uma mensagem de verificação. Em vez de esperar que a pessoa abra a caixa de entrada e clique numa ligação, o navegador trata da confirmação em segundo plano. Quando o processo é concluído, o site recebe um token assinado que comprova que o endereço foi verificado pelo respetivo fornecedor.

O utilizador permanece no site durante todo o processo, não precisa de abrir o email, copiar um código ou mudar de aplicação.

A proposta está a ser desenvolvida publicamente e foi apresentada como uma melhoria progressiva dos fluxos existentes. Ou seja, poderá complementar o processo atual quando estiver disponível, sem impedir que os sites mantenham os seus métodos habituais como alternativa.

Como funciona a verificação sem enviar um email?

O funcionamento técnico inclui vários passos de segurança, mas o fluxo pode ser explicado de forma simples.

1. O utilizador seleciona o endereço

Num formulário compatível, o utilizador escolhe o endereço através das sugestões de preenchimento automático do Chrome. Nesta fase inicial, não basta escrever manualmente o endereço.

2. O navegador identifica o fornecedor

O Chrome identifica o domínio do endereço e procura o serviço responsável pela respetiva conta. Por exemplo, no caso de um endereço Gmail, o navegador poderá contactar o serviço de contas da Google.

3. O fornecedor confirma a sessão

O fornecedor verifica se existe uma sessão ativa associada àquele endereço no mesmo perfil do navegador. Isto significa que o utilizador precisa de ter sessão iniciada na respetiva conta de email.

4. É criado um token de verificação

Depois de confirmar a sessão, o fornecedor gera um token de verificação. O navegador associa esse token ao site e ao formulário que iniciou o pedido.

5. O site valida o token

Quando o formulário é enviado, o site recebe o token através de um campo oculto. O site verifica elementos como:

  • O endereço indicado.
  • A origem do pedido.
  • A assinatura do fornecedor.
  • Um valor único associado ao formulário.

6. O utilizador permanece no site

Todo o processo acontece sem interromper a navegação. O utilizador vê apenas uma indicação discreta de que o endereço foi confirmado pelo fornecedor.

Na primeira utilização, é apresentado um pedido de autorização. Depois dessa autorização inicial, o processo poderá decorrer de forma mais silenciosa.

Para que a verificação funcione durante o origin trial, é necessário que:

  • O utilizador tenha uma sessão ativa no fornecedor de email.
  • Essa sessão esteja aberta no mesmo perfil do Chrome.
  • O endereço seja selecionado nas sugestões de preenchimento automático.
  • O fornecedor de email participe no protocolo.
  • O site esteja inscrito no origin trial e tenha implementado o processo.

A introdução manual de endereços ainda não é suportada no teste inicial, embora esteja prevista para uma versão futura. Quando alguma destas condições não é cumprida, o site não recebe o token e deve recorrer ao seu método habitual de confirmação.

O EVP pode substituir o double opt-in?

O EVP poderá assumir parte da função atualmente desempenhada pelo double opt-in, mas os dois conceitos não são necessariamente equivalentes.

O protocolo confirma que:

  • O endereço existe.
  • O fornecedor participa no processo.
  • Existe uma sessão ativa associada ao endereço.
  • O utilizador que preenche o formulário controla essa sessão naquele momento.

Isto representa uma prova técnica de controlo do endereço. No entanto, não demonstra necessariamente que uma mensagem enviada pela marca chegou à caixa de entrada.

O EVP não testa a reputação do remetente, a capacidade de entrega das mensagens ou a forma como estas serão tratadas pelo fornecedor de email. Por esse motivo, as empresas poderão continuar a enviar emails de boas-vindas ou de onboarding, mesmo quando a verificação for feita através do protocolo.

Verificação técnica não é consentimento

Também é importante distinguir verificação de consentimento. Confirmar que uma pessoa controla um endereço não significa, por si só, que autorizou o envio de comunicações comerciais. Da mesma forma, não demonstra automaticamente que o consentimento foi livre, informado, específico, inequívoco e devidamente registado.

As regras aplicáveis dependerão do mercado, da finalidade do tratamento, da relação com o contacto, das políticas internas da empresa e das obrigações legais ou contratuais existentes.

Por isso, as empresas não devem eliminar ou alterar os seus processos de consentimento apenas porque um endereço foi verificado através do EVP.

Qualquer alteração deverá ser analisada juridicamente e validada de acordo com os mercados em que a organização opera.

O protocolo poderá vir a simplificar a validação técnica do endereço. Não elimina, por si só, a necessidade de recolher e demonstrar consentimento quando este é exigido.

O que pode mudar no email marketing?

Caso seja amplamente adotado por navegadores, fornecedores de email e websites, o EVP poderá ter impacto em diferentes áreas do email marketing. Estes efeitos são possíveis, mas não estão garantidos.

Menos fricção nos formulários

O utilizador poderá confirmar o endereço sem sair do site, o que tornaria mais simples o preenchimento de formulários, a subscrição de newsletters, a criação de contas, o registo em serviços e outros processos que dependam da validação de um email.

Potencial aumento da taxa de conclusão

Um processo com menos passos poderá reduzir o número de pessoas que abandonam antes de concluir o registo. O impacto real dependerá, no entanto, do público, do dispositivo, do navegador e da forma como o formulário estiver construído.

Melhor qualidade dos endereços recolhidos

Um endereço validado diretamente junto do respetivo fornecedor terá menor probabilidade de ser inexistente ou estar incorretamente escrito.

Menos erros de digitação e endereços falsos

Como o utilizador precisa de escolher um endereço já reconhecido pelo Chrome, é possível que diminuam erros como domínios mal escritos. O processo também poderá dificultar a utilização de endereços inventados ou pertencentes a terceiros.

Onboarding mais rápido

Em serviços SaaS, lojas online e plataformas com criação de conta, o utilizador poderá avançar mais rapidamente para a etapa seguinte. Poderá, por exemplo, entrar de imediato na plataforma, concluir uma compra ou começar a configurar o serviço, sem esperar por uma mensagem.

Possível redução da dependência do email de confirmação

Caso o protocolo tenha uma adoção significativa, algumas empresas poderão depender menos da tradicional ligação de confirmação. Ainda assim, será necessário manter um método alternativo para os casos em que o EVP não estiver disponível. Nesta fase, o email de confirmação continua a ser o mecanismo mais abrangente e compatível.

Qual poderá ser o impacto na qualidade das bases de dados e na entregabilidade?

A recolha de endereços verificados poderá contribuir para bases de dados mais limpas. Se existirem menos endereços inválidos ou incorretos, também poderá diminuir o número de bounces nos primeiros envios.

No entanto, não é correto afirmar que o EVP melhora diretamente a entregabilidade, uma vez que esta última continuará a depender de vários fatores.

Consentimento e expectativas

Os contactos sabem que se inscreveram? Compreendem que tipo de mensagens irão receber e com que frequência? Um endereço válido não compensa a falta de consentimento ou uma expectativa mal gerida.

Qualidade e relevância dos conteúdos

As mensagens precisam de ser úteis e adequadas aos interesses do destinatário. Conteúdos pouco relevantes poderão gerar falta de interação, remoções ou denúncias.

Frequência de envio

Uma frequência demasiado elevada poderá cansar os contactos. Por outro lado, uma frequência demasiado baixa também poderá fazer com que deixem de reconhecer a marca ou se esqueçam de que se inscreveram.

Reputação do remetente

A reputação do domínio e dos IPs de envio continuará a influenciar a colocação das mensagens na caixa de entrada.

Autenticação do domínio

Configurações como SPF, DKIM e DMARC continuarão a ser essenciais para demonstrar a legitimidade dos envios.

Interação, denúncias e remoções

Os fornecedores de email analisam a forma como os destinatários interagem com as mensagens. Aberturas, cliques, respostas, eliminações, denúncias de spam e pedidos de remoção continuam a gerar sinais importantes.

O EVP poderá confirmar que um endereço é válido. Não confirma que o contacto quer receber mensagens, que o conteúdo é relevante ou que a infraestrutura do remetente está corretamente configurada. Um endereço tecnicamente válido poderá continuar a ser um problema de entregabilidade se pertencer a alguém que não reconhece ou não quer receber as comunicações.

Limitações e questões que ainda estão em aberto

O potencial do EVP deve ser analisado tendo em conta as suas limitações atuais.

A tecnologia encontra-se em teste

O EVP está disponível através de um origin trial. Os origin trials são experiências utilizadas pelo Chrome para recolher feedback antes de uma eventual disponibilização mais ampla.

Existem limites de utilização e a implementação poderá sofrer alterações. Algumas partes técnicas do protocolo também continuam em desenvolvimento.

A adoção depende de várias partes

Para funcionar em grande escala, o protocolo terá de ser adotado por:

  • Navegadores.
  • Fornecedores de email.
  • Serviços responsáveis pelas contas.
  • Websites que recolhem endereços.

Se uma destas partes não suportar a tecnologia, será necessário utilizar outro método de confirmação.

A participação do Gmail não representa todo o mercado

O Gmail participa no origin trial como fornecedor. Esta participação é relevante devido à sua dimensão, mas não significa que todos os fornecedores irão adotar o protocolo nem garante que a tecnologia venha a ser suportada de forma generalizada após o fim do teste.

É necessário manter um método alternativo

Os sites devem tratar o token como opcional. Quando o token não é recebido ou a validação falha, o fluxo deve continuar através do método tradicional, como o envio de uma ligação de confirmação.

Falta perceber a adoção fora do Chrome

Para se tornar um verdadeiro standard, o protocolo terá de ser aceite por outros navegadores. Enquanto estiver limitado ao ecossistema Chrome, a sua cobertura será inevitavelmente parcial.

Existem questões sobre privacidade e interoperabilidade

Apesar de a proposta incluir medidas destinadas a limitar a informação partilhada entre o site e o fornecedor, continuam a existir questões a acompanhar.

Entre elas:

  • A forma como diferentes fornecedores irão implementar o protocolo.
  • A compatibilidade entre navegadores.
  • A experiência de autorização apresentada ao utilizador.
  • O tratamento de diferentes contas no mesmo navegador.
  • A articulação entre verificação técnica e consentimento.
  • A segurança e a validação dos tokens.
  • A evolução das especificações técnicas.

Estas questões continuam a ser discutidas nos espaços públicos associados à proposta.

O que devem fazer as marcas neste momento?

Calma! Não é necessário reconstruir já os processos de subscrição ou registo. Existem, no entanto, algumas ações práticas que as marcas podem começar a desenvolver.

1. Acompanhar a evolução do origin trial

As equipas de marketing, produto e tecnologia devem acompanhar as atualizações publicadas pelo Chrome. Também poderá ser útil seguir a evolução da proposta e perceber se outros navegadores ou fornecedores demonstram interesse.

2. Não eliminar o double opt-in de forma precipitada

O double opt-in continua a ser um método abrangente para confirmar que o contacto tem acesso à caixa de entrada. Também poderá desempenhar um papel importante na demonstração do consentimento, dependendo do processo implementado. Não deverá, por isso, ser removido apenas porque surgiu uma nova tecnologia experimental.

3. Rever os pontos de abandono

As marcas podem analisar desde já:

  • Quantas pessoas preenchem o formulário.
  • Quantas recebem a mensagem de confirmação.
  • Quantas clicam na ligação.
  • Quanto tempo demoram a confirmar.
  • Em que dispositivos ou origens existe mais abandono.

Esta análise tem valor independentemente da evolução do EVP.

4. Melhorar as mensagens de confirmação

Um email de confirmação deverá ter:

  • Um assunto claro.
  • Um remetente reconhecível.
  • Uma explicação simples.
  • Uma ligação de confirmação visível.
  • Uma indicação do que irá acontecer depois do clique.

Também é importante otimizar a página apresentada após a confirmação, dando continuidade à experiência do contacto.

5. Garantir que o consentimento fica registado

As empresas devem manter um registo adequado de elementos como:

  • Data e hora.
  • Origem do contacto.
  • Formulário utilizado.
  • Texto de consentimento apresentado.
  • Finalidade indicada.
  • Versão das condições aceites.
  • Endereço IP, quando aplicável e juridicamente adequado.

O EVP não elimina esta necessidade.

6. Preparar mecanismos de fallback

Qualquer implementação futura deverá assumir que a verificação automática poderá não funcionar. O fluxo deve conseguir encaminhar o utilizador para um email de confirmação tradicional sempre que:

  • O navegador não suportar o protocolo.
  • O fornecedor não participar.
  • Não existir uma sessão ativa.
  • O endereço for introduzido manualmente.
  • O token não for recebido.
  • A validação falhar.

7. Avaliar testes quando a tecnologia estiver mais madura

Quando existir maior estabilidade e cobertura, poderá fazer sentido testar o EVP num grupo limitado de utilizadores.

Antes do teste, deverão ser definidas métricas como:

  • Percentagem de formulários que recebem um token.
  • Taxa de tokens validados com sucesso.
  • Percentagem de utilizadores encaminhados para o fallback.
  • Taxa de conclusão dos registos.
  • Tempo médio até à conclusão.
  • Qualidade dos endereços recolhidos.
  • Impacto nos processos de consentimento e auditoria.

Conclusão

O Email Verification Protocol procura resolver um problema real: a interrupção provocada pelo processo tradicional de confirmação.

Ao permitir que o navegador valide o endereço diretamente com o fornecedor, o EVP poderá tornar os formulários de subscrição, registo e checkout mais simples. Também é possível que contribua para reduzir erros, melhorar a qualidade dos endereços recolhidos e acelerar experiências de onboarding.

Mas é importante não antecipar conclusões.

A tecnologia encontra-se num origin trial, depende da participação de diferentes intervenientes e ainda não está disponível de forma generalizada. Não é um substituto universal do double opt-in e não elimina os requisitos relacionados com consentimento, prova de consentimento, gestão de contactos ou entregabilidade.

O futuro da verificação poderá ser mais simples para o utilizador. Para as marcas, continuará a exigir aquilo que sempre exigiu: processos claros, consentimento bem documentado, segurança, bases de dados cuidadas e comunicações que as pessoas realmente querem receber.

A fricção poderá diminuir. A responsabilidade continuará do lado das marcas.

Comece por melhorar aquilo que já controla

Enquanto o Email Verification Protocol continua a ser testado, os resultados das suas campanhas ainda dependem sobretudo da qualidade dos processos que já utiliza.

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Fonte principal: “Test the Email Verification Protocol with an origin trial”, Chrome for Developers, publicado a 8 de julho de 2026.

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